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aurelius

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Fé confiante e as tempestades da vida

aureliano, 21.06.24

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12º Domingo do Tempo Comum [23 de junho de 2024]

   [Mc 4,35-41]

A semente da fé lançada no coração humano pelo batismo precisa ser cultivada, regada, adubada para germinar, crescer e produzir frutos. O evangelista coloca Jesus fazendo um caminho com os discípulos. Depois de lhes falar a respeito da semente, leva-os a atravessar o mar. A fé vai ser provada.

Não podemos perder de vista que Marcos é o evangelista do ‘segredo messiânico’. Ou seja, Jesus não se dá a conhecer plenamente enquanto caminha com eles. Diante dos sinais e palavras de poder de Jesus eles se inquietam: “Quem é este?”. A resposta virá somente no final, na entrega de Jesus na cruz. O centurião romano fará a profissão de fé: “Verdadeiramente, este homem era filho de Deus” (Mc 15,39). Em outras palavras, Jesus deve ser reconhecido na fé. Os sinais que ele realiza devem levar o discípulo a depositar nele total confiança. Com Jesus, o discípulo deve entregar-se confiante nas mãos do Pai. Nesta confiança realiza sua missão, sabendo que o Pai não abandona na morte aqueles que viveram como seu Filho Amado viveu.

Quando lemos o relato de Jesus convidando os discípulos para irem à outra margem, precisamos abstrair um pouquinho para entendermos o que significa ‘barco’, ‘margem’ e ‘mar’, no texto. Os relatos do evangelho não são hitórico-jornalísticos. São relatos teológicos. Não estão aí para serem compreendidos na literalidade do texto, mas para serem interpretados à luz da fé da Igreja. É Deus que nos fala nas ações e palavras de Jesus. São fatos interpretados, à luz do Espírito Santo, que indicam o caminho de construção do Reino de Deus.

Então vamos lá. Na outra margem estava a Decápole, cidade pagã, com outros costumes, cujos moradores detestavam os religiosos judeus. Ir para outra margem significa entrar em ‘território estranho’. É correr risco de rejeição, de conflito, de morte. Quando os discípulos entram no barco e começam a travessia, faz-se dentro deles uma grande ‘tempestade’. Então a tempestade não vinha do mar... E Jesus os chama de medrosos, covardes. Sem entender mais profundamente o texto, podemos ser levados a interpretar as palavras de Jesus como grosseria, insensibilidade, falta de compreensão. Mas não é isso. O problema aqui está em que, já estando com Jesus um bom tempo, os discípulos não tinham ainda depositado a confiança n’Ele. Não tinham ainda coragem de entregar a vida. Sua fé era interesseira, demasiadamente humana. Mais precisamente, as dificuldades enfrentadas pelas primeiras comunidades, representadas aqui na tempestade do mar, levaram muitos a fracassar, a desistir do caminho de Jesus, da comunidade. O episódio mostra a necessidade de retornar a Jesus, de buscar nele a força e a inspiração para prosseguir em meio às tempestades da vida. Estas seriam comuns na vida dos discípulos.

Quando o Papa Francisco fala da necessidade da saída: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”, ele traz a possibilidade do risco de ser perseguido, de ser rejeitado, de ser ridicularizado. É mais cômodo deixar as coisas como estão, fechar-se no comodismo. Mas o risco pode ser maior: a tempestade virá. E quem vai se salvar? Aliás, quando as coisas estão bem, tendemos a confiar em nossas próprias forças. Quando ‘o bicho pega’, buscamos refúgio em algo ou alguém. Com frequência entra-se em desespero. Por isso Jesus ‘dormia’. Ou seja, ele confiava plenamente no Pai. Não se trata de uma confiança infantil, irresponsável. É uma entrega filial: aconteça o que acontecer, ele sabe que o Pai não o abandona. Ele não se exime de atravessar o mar e ir à outra margem.

O mar, nos relatos do Primeiro Testamento, embora sujeito ao domínio de Deus, era sempre expressão de uma força insuperável, ameaçadora ao ser humano. As gerações antigas não tinham o entendimento de que o planeta é redondo, levando-os, portanto a pensar que no ‘final’ do mar caía-se no abismo. Entendiam também que as tempestades do mar eram fruto da fúria de poderes sobrenaturais (deuses). Então, somente o Senhor Todo-poderoso era capaz de dominá-lo. Quando Jesus acalma as ondas do mar provoca neles a admiração intrigante: “Quem é este?” Ou seja, começam a perceber em Jesus um poder semelhante ao do Senhor que domina os mares (cf. Jó 38,1.8-11).

Vivemos hoje uma situação muito parecida com a dos discípulos. As ‘ondas do mar’ batem forte, tentam solapar nossas valores e princípios. O que aprendemos na família, na catequese, na comunidade está ameaçado. Há muita gente confusa, sem saber o que fazer, a quem recorrer, em quem dar crédito. O consumismo e o materialismo, a corrupção e a violência, o individualismo e o hedonismo estão tomando conta dos corações. O Servo de Deus Pe. Júlio Maria já nos ensinava a rezar: “A fé vai se apagando nas almas, os corações se afastam do único amor verdadeiro, e as trevas do erro envolvem o espírito da maior parte dos homens” (Suspiros). É o que constatamos!

Jesus repreende os discípulos pela falta de fé. De que fé se trata? Fé interesseira: para ter proteção, cura, bem-estar? É certo que esperamos tudo isso de Deus. Mas a fé não é algo abstrato: passa por uma pessoa: Jesus de Nazaré. Fé é acreditar em Jesus, não somente por causa do poder que ele manifesta, mas por causa do seu gesto maior: entrega de sua própria vida em fidelidade ao Pai que o ressuscita dos mortos. A tempestade acalmada está no início da caminhada de Jesus. Mas no fim está a cruz, a morte e a ressurreição. É na sua entrega até à cruz que se revela o amor de Deus por nós. Confiantes nele enfrentamos as tempestades de nossa vida e da nossa história. Uma fé confiante. Para tanto, pedimos: “Senhor, aumenta a minha fé!”.

Portanto, a ‘outra margem’, o ‘mar tempestuoso’ e o ‘barco’ são conceitos teológicos. Relatos que querem revelar a ação de Deus na história através de Jesus de Nazaré. Perguntamos:

  1. Você tem coragem de enfrentar o ‘mar’ e ir para a ‘outra margem’? Qual é a ‘outra margem’ de sua vida?
  2. Você é capaz de identificar seu ‘mar tempestuoso’? Quais são seus medos? Sua fé é interesseira, de conveniência como a dos discípulos ou é parecida com a fé de Jesus?
  3. Para atravessar o mar é preciso entrar no barco. Em que ‘barco’ você está? Jesus está no seu ‘barco’? De que forma você o reconhece?

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

É Deus quem faz crescer

aureliano, 14.06.24

11º Domingo do TC - B - 13 de junho de 2021.jpg

11º Domingo do Tempo Comum [16 de junho de 2024]

   [Mc 4,26-34]

O Reino trazido por Jesus é obra de Deus e não dos homens. Essa é a mensagem central da liturgia de hoje. Jesus se remete à realidade rural de seu tempo, certamente experimentada por ele, e compara a dinâmica do Reino com a semente. Conta duas parábolas: a semente que cresce sozinha e a semente pequenina que cresce e se torna grande. Então o povo poderia facilmente compreender o que Jesus queria dizer. Falava a linguagem deles.

A semente que cresce sozinha: Ela não depende da pessoa que a semeou. Possui uma força interna que a faz crescer e produzir frutos. Aquele que a semeou nem sabe como isso se dá. Essa historinha de Jesus quer mostrar que assim acontece com o Reino de Deus. As coisas de Deus não dependem do ser humano. Deus age no coração e na vida das pessoas independente de nós. Ou melhor: ninguém deve pensar que as pessoas se tornam mais cristãs por causa do anúncio que fizemos a elas. Atribuindo ao evangelizador o bom êxito da mensagem. Não! É Deus que age no coração de cada um. É preciso entender também que Deus tem seu tempo. O tempo de Deus não é o nosso tempo. A nós compete semear. A colheita é de Deus.

A semente pequenina que se torna uma grande árvore: Nesta parábola Jesus mostra que seu Reino não é de grandeza, de holofotes, de aparência, de sucesso, de palco, de televisão. Deus age de modo simples e discreto na vida das pessoas. A própria vida de Jesus foi assim. Ele foi perseguido, caluniado, condenado, morto. Mas está vivo, presente no meio de nós. Nossa fé assim acredita, pois verifica sua presença e ação na história. Crer em Jesus revoluciona as relações: um novo modo de ser que se torna “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (Cf. 1Cor 1,22-25). Do ponto de vista da sociedade do consumo, da aparência, da fama, da competição, é uma “loucura”.

A mensagem que Jesus nos transmite, hoje, nos ajuda a entender a dinâmica de nossa missão. Não podemos pensar que vamos mudar o mundo com nossas próprias forças. É o poder de Deus que atua através de nós. Não podemos trabalhar com vistas a resultados imediatos. Nossa missão é semear a boa semente. A colheita não é nossa. A seara é de Deus. Por que então essa ânsia em ver resultado, em colher os frutos? E o anúncio deve ser feito na simplicidade de nosso cotidiano. Não podemos andar a cata de aplausos, de holofotes, de reconhecimento, de sucesso. Jesus não foi assim. O “acontecimento Jesus” deve nos iluminar e inspirar sempre. Precisamos ser mais parecidos com ele. Ainda que nossa comunidade seja pequena, insignificante; ainda que nosso trabalho não tenha reconhecimento; ainda que nossa vida e ação sejam anônimas, invisíveis: a Graça de Deus está aí, agindo. Embora não compreendamos ou percebamos, Deus age. É o processo da fecundidade e não do fazimento. O mundo é dele. Nossa comunidade é dele. Nossa família lhe pertence. Nossa vida foi consagrada por Ele e a Ele no batismo. Entreguemo-nos a Ele com confiança. E empenhemo-nos na missão com entusiasmo.

O extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. Pe. Júlio Maria, fundador de nossa Congregação, costumava dizer    que “a santidade consiste em fazer as coisas ordinárias de modo extraordinário”.

Podemos, portanto, concluir que três atitudes são imprescindíveis para a atuação do Reino de Deus no mundo:

Despojamento: a Igreja não se anuncia a si mesma, mas o Senhor. Ela deve ter consciência de que é a graça do Espírito Santo que opera nela para que seja sinal de Cristo no mundo. Neste sentido o cristão deve ser pobre, despojado de apegos e alianças inconsequentes (dinheiro, poder, política, cultura), sabedor de que o Reino não depende dessas coisas. Aliás costumam ser empecilhos para a realização do Reino.

Paciência: se a realização do Reino não depende de mim, preciso ter paciência. Não se trata de quietismo, de ficar esperando de braços cruzados as coisas se realizarem, mas agir com nova mentalidade, sabendo que “é Deus quem faz crescer”. Deus chama, converte, consagra, envia e sustenta na missão. O Reino é de Deus.

Humildade: o cristão deve fazer tudo sem atribuir a si mérito de nada. Trabalha com todas as forças sem pretender colher os frutos, ver o resultado. “Quem é, portanto, Apolo? Quem é Paulo? Servidores pelos quais fostes levados à fé: cada um deles agiu segundo os dons que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer” (1Cor 3,5-6).

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

O Espírito de Jesus nos reúne

aureliano, 08.06.24

10º Domingo do TC - B - 06 de junho 2021.jpg

10º Domingo do Tempo Comum [09 de junho de 2024]

[Mc 3,20-35]

Estamos no capítulo 3º do evangelho de Marcos. Depois da eleição dos Doze, o evangelista retoma a controvérsia que contesta e questiona o poder de Jesus. O centro da questão é saber “quem é este? De onde vem o poder que manifesta?” Os parentes o acusam de louco; os escribas, de possuído pelo demônio.

Jesus é o vencedor dos poderes do mal. Ele tira o pecado do mundo. Traz nova perspectiva de vida para todos. Introduz novo horizonte de sentido na vida daqueles que o assumem como Salvador e Mestre. Quem se recusa a reconhecer isso peca contra o Espírito Santo e exclui-se da salvação.

Pecado contra o Espírito Santo é a atitude (não uma ação isolada) de recusa a ouvir e colocar em prática o ensinamento de Jesus. É encarquilhar-se no mal (cf. Dn 13,52). É fazer a opção fundamental por viver de modo egoísta, narcisista, fechado nas próprias ideias, recusando-se a fazer um caminho cotidiano de conversão. Pecado contra o Espírito Santo é recusar-se conscientemente a ver os sinais da graça e da luz de Deus na história. É não ver o bem nas pessoas, mas servir-se delas como objeto de prazer e de lucro. É entrar sempre mais numa vida de trevas, de consumismo, de ambição, de ganância, de mesquinhez, fugindo sempre da luz da graça de Deus.

Aqueles, porém, que reconhecem realidade da luz e da graça manifestadas nas palavras e nos gestos de Jesus, estão no caminho do cumprimento da vontade do Pai, entrando, consequentemente, para a família de Deus: “E repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: ‘Eis a minha mãe e os meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe’” (Mc 3,34-35).

O relato do evangelho deste domingo nos mostra Jesus em pleno exercício da missão. Não desiste nem desanima mesmo diante da perseguição familiar e religiosa. Ninguém fá-lo desistir. Ele compreende a missão que o Pai lhe dera e a assume até às últimas consequências.  Familiares e pessoas poderosas (politiqueiros, por exemplo) costumam nos ‘enredar’ (colocar numa rede) para nos afastar da vivência da fé cristã. Fazem promessas de facilidades ou armam ciladas para nos fazer cair. É preciso ser forte e cheio de Deus para que esses inimigos do evangelho (“inimigos da cruz de Cristo” na expressão do Apóstolo das Gentes - Fl 3, 18)), não nos façam fraquejar e desanimar ou mesmo mudar o foco. Há muitas pessoas que tiveram uma formação cristã, foram educadas em bons princípios e valores na família, na comunidade, na escola, mas que se descambaram para a uma vida perversa, mentirosa, corrupta, desonesta e violenta ao associar-se a gente pervertida: “Salvai-vos desta geração perversa” (At 2,40).

A atitude de Jesus em relação à família nos faz repensar nossas relações familiares. Ele rompe com uma cultura machista e patriarcalista que colocava o apego e defesa da raça, do sangue, da cultura acima dos valores do Reino. Jesus amplia o conceito de família. Na dinâmica do Reino trazido por Jesus, a família de Deus não se constitui de alguns privilegiados que passaram por um ritual ou por serem de uma mesma raça ou religião. Deus é maior do que a religião e laços familiares. Jesus não está preso a nenhuma religião nem a nenhum grupinho seleto. Para Jesus, o mais importante é “fazer a vontade do Pai”.

A ‘família de Deus’ é aquela que coloca os valores do Reino como prioridade em sua vida: a justiça, a verdade, a generosidade, o perdão, a solidariedade, a fraternidade, o serviço desinteressado, o cuidado com a pessoa e com o meio ambiente; a quebra dos preconceitos de raça, sexo, condição social, religião; a tolerância e convivência respeitosa com mentalidades, culturas e crenças diferentes, o diálogo respeitoso, a sensibilidade aos sofrimentos dos pobres etc.

Há muita gente que pensa somente nos “seus” familiares e amigos, nas “suas” coisas. Jesus nos ensina que precisamos sair dessa atitude bairrista, provinciana, de pensar somente em nós e na “nossa” família, para lançarmos um olhar mais além. O batismo nos faz irmãos uns dos outros, rompendo assim com a estratificação social. Portanto, não pode haver mais exclusão nem discriminação entre nós. Nosso cuidado não pode se restringir, então, apenas aos “da nossa casa”. Nosso olhar deve-se voltar para aqueles que estão perto de nós e precisam de nossa ação. Como aquela mãe de família, separada do marido, que trabalha com afinco para tratar de suas duas filhas. Percebendo que uma criança de seu local de trabalho (creche) não tem onde ficar com sua mãe (que trabalha durante o dia), abandonada pelo companheiro, levou ambas para dentro de sua casa a fim de ampará-las, mãe e filho, até que arranjassem uma forma de viver com o mínimo de dignidade. São gestos pequenos, mas significativos que ilustram o que Jesus disse no evangelho de hoje. Ultrapassam os laços de sangue.

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PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

“Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados como qualquer blasfêmia que tiverem dito. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno” (Mc 3,28-29).

Muitas pessoas ficam curiosas em saber que pecado é esse que não tem perdão. O que é mesmo o pecado contra o Espírito Santo? O contexto do evangelho de hoje o revela: um clima de fechamento, de resistência às palavras e às ações de Jesus. Falta de acolhida à novidade do Reino de Deus. Ora, Deus não salva ninguém à força. Santo Agostinho já o entendera bem: “Quem te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

A falta de cultivo da vida interior, a busca frenética pelo bem-estar, o acúmulo de coisas, a busca de si e de seus próprios interesses em detrimento do bem da coletividade são realidades que fecham o coração e impedem a ação do Espírito de Deus em nós.

Seria bom, portanto, que cada um verificasse que importância está dando àquelas realidades que são o essencial de sua vida: a vida eclesial, a vida familiar, o cuidado com os mais sofridos, o zelo pela verdade e pela coerência de vida, a sinceridade e honestidade nas relações de trabalho e vizinhança, o carinho e cuidado para com os pais ou idosos, a abertura de coração. Confrontar a própria vida com a vida de Jesus que se deixou conduzir pelo Espírito.

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EXPULSAR DEMÔNIOS

Há muitos religiosos por aí “especialistas” em “expulsar demônios”. Se a pessoa não os tem, eles arranjam para ela. É uma forma de enganar e arrancar o dinheiro dos incautos e sofredores, além de mantê-los reféns de seu poder. Com o avanço das Ciências e da Medicina sabemos de muitas doenças que, no tempo de Jesus, eram consideradas possessões diabólicas, não passam de distúrbios ou deficiências mentais. É só procurar o psiquiatra ou o psicólogo que a pessoa vai ser tratada. Além, é claro, de se preparar um ambiente adequado que a ajude a viver. Não se trata de ‘possessões diabólicas’, mas de doenças mentais. Cuidado com os falsos pastores!

Os demônios que precisam ser expulsos têm nomes e estão dentro de nós: a mentira, a traição, a falsidade, a preguiça, a safadeza, a inveja, a ganância, a cobiça, a vingança, a ingratidão, o fechamento, o orgulho, o parasitismo, a corrupção, a grosseria, a incoerência, a dureza de coração etc. Esses demônios fazem um mal enorme. Em alguns eles agem com mais força; em outros, são enfraquecidos pelo esforço de se viver em Deus. Vamos exorcizar esses demônios! E eles são teimosos: não gostam nem querem sair de dentro de nós!

Senhor Jesus, ajuda-nos a compreender que nosso pecado, nossa omissão, nossas escolhas erradas, nosso egoísmo podem fazer muito mal e causar muito sofrimento. Dá-nos a graça de romper com o mal em nós e fora de nós para que nossa vida seja mais parecida com a tua. Que nossas palavras e ações sejam de mais abertura, acolhida, discernimento, tolerância e perdão. Faze de nós instrumentos de paz e de justiça para construirmos um mundo mais irmão e solidário, em que todos tenham acesso aos bens da criação, à vida digna e feliz, à “vida plena”.

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN