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aurelius

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A verdadeira oração...

aureliano, 14.10.16

29º Domingo do Tempo Comum [16 de outubro de 2016]

 

A verdadeira oração deve ser “inútil”

[Lc 18,1-8]

 

 

A parábola do evangelho deste domingo não revela complicação e apresenta duas figuras ocupando o centro – um juiz que tem as duas atitudes básicas da iniquidade: “não temia a Deus” e “não tinha consideração para com as pessoas”, e uma viúva injustiçada, sem nenhum apoio social, abandonada à própria sorte.

 

Então, já podemos notar que a oração não pode ser desligada da vida, da realidade de sofrimento e de opressão dos pobres. Nossa oração ao Pai precisa levar em consideração o povo sofrido em consequência das injustiças e maldades dos poderosos. Uma oração privada, que leva em conta apenas “minhas” necessidades, contradiz claramente o ensinamento de Jesus sobre a oração cristã.

 

 

Nossa oração deve ser de confiança, de esperança, persistente, “sem nunca desistir”. Deve se inspirar no jeito e na oração de Jesus.

 

Alguns se questionam: “Pra que rezar? Deus não atende a minha prece! Rezando ou não rezando, a vida continua da mesma forma. Rezar é inútil!” – É verdade: a oração é, de alguma forma, “inútil”. Ou seja, ela não tem a finalidade de resolver nossos problemas, de alcançarmos isso ou aquilo, de realizar nossos projetos pessoais. Nesse sentido a oração é “inútil”. Ela não visa a produzir coisas. A oração serve para nos ajudar a viver, a encontrar o sentido para nossa vida, a preencher o vazio existente dentro de nós, a nos tornar mais humanos, mais “conformados” a Jesus de Nazaré.

 

A oração confiante, gratuita, desapegada, “inútil”, nos coloca em sintonia com Jesus na cruz: ele experimentou o abandono do Pai – “Meu Deus, por que me abandonaste?” –, mas não perdeu a confiança: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Nesta oração de Jesus está contida a angústia de quem experimenta grande sofrimento, ao mesmo tempo em que se coloca confiante nas mãos do Pai, refúgio último e seguro na vida e na morte.

 

A pergunta de Jesus - “Quando o Filho do homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”-  deve continuar ressoando dentro de nós. No contexto da parábola parece querer-nos dizer que precisamos continuar gritando com a oração, com a palavra e com as atitudes; que se faça justiça ao pobre. O abandono dos pobres, a recusa da luta pela justiça na terra, são sinais inequívocos da perda da fé, do afastamento da vida cristã.

 

                Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN