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aurelius

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Riqueza gera indiferença

aureliano, 24.09.22

26º Domingo do TC - 29 de setembro - C.jpg

26º Domingo do Tempo Comum [25 de setembro de 2022]

[Lc 16, 19-31]

Lucas continua insistindo na justiça e honestidade em relação ao uso dos bens. O Evangelho de hoje dá continuidade ao texto do último domingo: administrar os bens com bom senso e justiça, sabendo que não são nossos, mas de Deus. Devem ser bem administrados por nós. Não somos donos do dinheiro e daquilo que dispomos. Eles são dons de Deus e devem ser disponibilizados em benefício nosso e dos outros, particularmente, dos pobres.

A divisão da sociedade entre ricos e pobres não é de hoje. Alguns são donos de grandes fortunas e levam uma vida na abundância e desperdício. Enquanto uma multidão leva uma vida miserável, fruto, muitas vezes, da concentração de renda e lucro nas mãos de uns poucos. Quando a saúde, a moradia, a educação, o saneamento básico, o transporte público etc não são cuidados a gente já sabe quem sofre as conseqüências: milhões de pobres e deserdados da terra.

Notamos na parábola de hoje, muito conhecida e que, por vezes, causa certa comoção: “Que rico nojento, ambicioso! Merece a morte!” Mas, e nós? Como lidamos com os pobres? Há muita gente passando necessidade em nosso meio! Há muita corrupção favorecida por nós quando nos omitimos: quantas pessoas vendem o voto sem nenhum escrúpulo! Quantas pessoas vivem atrás de benefícios pessoais, indiferentes ao pobre que mora bem perto de sua casa! Quanta maldade presenciamos, e fazemos de conta que não vemos!

O rico do evangelho não foi condenado por ser rico, mas por ser indiferente. É este o câncer que está matando a humanidade! O sofrimento do outro não me diz respeito, não me comove, não mexe com meu coração. Neste sentido podemos dizer também que há pessoas pobres de bens materiais que são maldosas, indiferentes, perversas. Porém é sabido que a riqueza cega o coração e mata o sentimento de solidariedade.

Diante dessa realidade toda, penso que o grande e principal apelo de Deus para nós é a conversão. Nossa mentalidade precisa se conformar com o jeito e sentimentos de Jesus. Ele é o nosso modelo. Precisamos olhar para ele. Essa atitude nova que brota do encontro com Jesus se manifesta através do novo jeito de lidarmos com as coisas e as pessoas.

O risco é entendermos esse Evangelho como um apelo a darmos esmola a pobres que encontramos pela rua ou que batem à nossa porta para descarrego de consciência ou mesmo por medo da condenação eterna. A palavra esmola significa justiça. O caminho é sermos justos com nossa família, com nossos vizinhos, com a comunidade, nas relações de trabalho. Ser justo é viver de acordo com o ensinamento de Deus. É empenhar-se para que o mundo seja mais próximo daquilo que Deus sonhou.

A justa preocupação de cada um em ter uma casa, um emprego, saúde, educação, uma vida de qualidade para si e para os seus deve se ampliar no desejo de que todos tenham acesso a essas mesmas condições. O que desejamos para nós devemos querer para os outros, e nos empenharmos para que todos o tenham.

O Evangelho é uma força de conversão para todos, pobres e ricos, a ser feita imediatamente. É uma força profética que denuncia toda ordem injusta e revelação das causas profundas da injustiça humana. Não adianta esperar que venha alguém dos mortos para nos dizer o que devemos fazer. Jesus já o disse. Resta-nos assumir essa causa, a causa do Reino de Deus.

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VESTUÁRIO E FESTAS

O evangelho deste domingo nos convida a repensar posturas em relação a vestes e festas. Já notaram como as festas ocupam os tempos vagos de muita gente? E não sobra tempo para mais nada. Uma folguinha... e já vem um passeio, um churrasco, uma cerveja, uma ida à casa de campo, à praia etc. Tudo isso é muito bom e necessário, mas na medida do evangelho.

Já perceberam que há pessoas que vivem uma situação tal de enfermidade própria ou de outro que nunca tiveram condições de fazer um passeio? A dona Maria que tem um filho com deficiência e que vive por conta dele: nunca teve condições de fazer um passeio despreocupada. E assim, há inúmeras situações que conhecemos bem. A gente precisa refletir sobre isso...

Outra coisa que domina o coração da gente é a preocupação excessiva com o vestuário. Os lançamentos de grifes caras levam a um consumismo cada vez maior. Há uma preocupação excessiva em se vestir de tal ou tal maneira, vestir tal ou tal grife porque senão vão dizer isso e aquilo. Uma preocupação excessiva com a imagem de si. Sinal de vazio interior.

Bem. O evangelho de hoje relata que o rico tinha uma única preocupação: vestir-se de púrpura e linho fino e banquetear-se com os amigos. Isso, diariamente! É exatamente essa preocupação com festas e vestuários que o deixou cego diante do pobre que lhe pedia um pão e alargou o fosso que o separava do ‘Seio de Abraão’.

Na primeira leitura (Am 6,1a.4-7) o profeta adverte: "Ai... dos que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; os que cantam aos som das harpas... os que bebem vinho em taças...  e não se preocupam com a ruína de José". Fazer festas e banquetes, gastanças sem medida e não se incomodar com o sofrimento dos pobres! Uma realidade que está bem perto de nós! Compete-nos visitar o histórico de quem elegemos no último pleito, e refletir sobre aqueles que estão a pedir o sufrágio nas urnas no próximo mês.  Muitos deles fazem viagens, festas, jantares com nosso dinheiro sem o menor escrúpulo. E os pobres abandonados à sua própria sorte! Não há insulto maior aos pobres do que o luxo desenfreado e vergonhoso dos ricos.

Será que não precisaríamos de rever nosso modo de lidar com o vestuário e com as festas para que enxerguemos os pobres e enfermos que precisam de nós?

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

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