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Ter coragem de ser o menor

aureliano, 17.09.21

25º Domingo do TC - B - 19 de setembro.jpg

25º Domingo do Tempo Comum [ 19 de setembro 2021]

   [Mc 9,30-37]

Pedro professou a fé dizendo: “Tu és o Messias”. Mas, em seguida não dá conta de viver o que professa. Busca uma saída, uma justificativa: repreender Jesus (cf. Mc 8, 32-33). Vê-se claramente que os discípulos têm muita dificuldade em viver a fé professada. Para nosso consolo não é dificuldade somente nossa!

Aliás, os discípulos – como nós, por vezes, – estão mesmo preocupados é com os primeiros lugares. Por isso têm medo de perguntar a Jesus o que significava aquele anúncio da paixão. Isso não coincide com suas buscas: quem será o primeiro? Se o ser humano não fizer caminhos de conversão, estará às voltas com a busca de si, de seus interesses pessoais em prejuízo da coletividade. Dêem uma olhadinha nas disputas eleitorais! A grande maioria está buscando seus próprios interesses. Projeção social, sucesso, dinheiro, garantia de altos salários, emprego e cargos para filhos e parentes. A proposta de Jesus é que seu discípulo se preocupe com o coletivo, com o bem comum, sobretudo com os mais pobres. Que todos estejam bem, sejam bem servidos, sejam bem cuidados. A religião que ensina ou insiste na busca de interesses privados não anuncia o Deus de Jesus de Nazaré, mas um ídolo.

Não são, muitas vezes, nossas também essas mesmas preocupações quando assumimos um encargo de liderança? As brigas e rixas nas comunidades provêm daí: “Das paixões que estão em conflito dentro de vós” (Tg 3,2). A inveja e a cobiça são males terríveis! Destroem qualquer comunidade. Elas só podem ser vencidas pela conversão do coração a partir do encontro e seguimento de Jesus. Quando nos empenhamos em tornar nossa vida semelhante à de Jesus.

Na verdade o que está em jogo aqui é agir ou ‘segundo a lógica do mundo’ ou ‘segundo a lógica de Deus’; incorporar a ‘sabedoria do mundo’ ou a ‘sabedoria de Deus’. Jesus não abandona o projeto do Pai. Permanece firme, não obstante a oposição e indiferença dos seus discípulos. Permanece firme, pois sabe que este é o caminho da vida. Ao passo que seus discípulos são fascinados pela lógica do mundo. Não admitem que uma vitória possa vir pela vida entregue, a morte. Esta, para eles, é fracasso total. Sobretudo porque tinham em vista a chegada a Jerusalém e a vitória total do mestre Jesus sobre os dominadores da Cidade Santa.

Abraçando e apresentando uma criança Jesus quis mostrar que a lógica de Deus passa pela acolhida aos mais frágeis, uma vez que as crianças naquele tempo não tinham nenhum prestígio ou reconhecimento. Representavam os indefesos, fracos, abandonados, marginalizados. Por isso, todas as vezes que abraçamos, acolhemos, ajudamos, colaboramos com a causa dos indefesos, representados pelas crianças do evangelho, estamos acolhendo Jesus e o seu Reino. Uma Igreja que acolhe os pequenos, que se compromete com os pobres, abandonados, migrantes, desempregados, em situação de rua está acolhendo o próprio Deus. Por outro lado, uma Igreja que se aproxima e se associa aos poderosos da terra, aos latifundiários e empresários gananciosos, aos detentores do poder político e econômico está traindo a Boa Nova de Jesus.

Algumas perguntas poderiam nos acompanhar ao longo desta semana: Qual é a lógica/sabedoria que nos orienta: a sabedoria do mundo ou a sabedoria de Deus? Deixo-me levar pela ganância do ter e do poder? Qual é minha maior preocupação: ocupar os primeiros lugares, incomodar-me com quem está nos primeiros lugares (porque penso que o lugar deveria ser meu)? Luto por um mundo mais igualitário, mais democrático, mais dialógico, começando por mim? Estou disposto a enfrentar desafios, desafetos, desprezos, humilhações, fracassos por causa de minha fidelidade ao evangelho?

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A PROPÓSITO DAS CRIANÇAS

Jesus “tomou uma criança, colocou-a no meio deles e, pegando-a nos braços, disse-lhes...” Essa atitude de Jesus pode nos ajudar a refletir sobre muitas situações por que passam as crianças na sociedade atual.

Uma delas é o abandono. Certamente são mais do que justas e necessárias as ausências dos pais que saem todos os dias em busca do pão de cada dia. As crianças ficam nas creches, com as avós ou em outras situações. Mas o fato é que a presença norteadora dos genitores deixa a desejar. Quem são mesmo os verdadeiros orientadores, educadores dos seus filhos? Muitas vezes se busca compensar a ausência com presentes. Uma espécie de compra do afeto. Isso mais tarde se transformará em ódio contra os pais. Nunca compre o amor de seu filho/a. Dê presença e carinho gratuitamente. Seja sempre verdadeiro, honesto, sincero!

Outra realidade é a da tecnologia da comunicação. Ocupados com as mídias e redes sociais, alguns pais deixam os filhos abandonados. Até costumam oferecer-lhes de presente um aparelho também. Assim fica ótimo! Cada um na sua. Ninguém incomoda a ninguém. Você sabe o que seu filho vê na internet? Sabe com quem ele faz contato? Sabe por onde navega? Há histórias terríveis em relação a isso. Pare, pense e confira!

Você que é cristão, católico, ensina as primeiras orações a seu filho/a? Ensina a ele/ela os valores do evangelho? Dá bom exemplo de partilha, de solidariedade, de respeito, de justiça, de verdade? – Outro dia ouvi uma história linda: Aproximava-se o aniversário do filho: 10 anos. O pai, professor e possuidor de uma condição econômica razoável, perguntou-lhe o que gostaria de ganhar como presente de aniversário. Para surpresa do pai, o filho pediu uma boa quantidade de pães a fim de fazer sanduíches e distribuir com os pobres da rua! Esse gesto brotado do coração de um menino de classe média diz muito pra nós!

Outro fato evidenciado pela mídia, e, infelizmente, muito praticado em nosso meio, é o abuso sexual de crianças e adolescentes. Uma situação terrivelmente dolorosa e danosa para a criança, vítima indefesa e inocente, e para a família. E, no caso da Igreja, enquanto continuadora da missão de Jesus, uma mancha terrível. Leva a uma espécie de apagão de todo o trabalho e doação de milhares de padres e religiosos que entregam sua vida, sua força, suas energias para cuidar, educar, salvar as crianças nas famílias e comunidades. Quero reafirmar que os pais precisam acompanhar com muita solicitude seus filhos e filhas pequenos para que não sejam vítimas dessa perversão/perversidade de muitos adultos e que prejudica terrivelmente milhares de crianças. Com muita frequência as crianças são abusadas pelos de casa, mas a mãe ou quem tem conhecimento, ou não se importa ou não tem coragem de denunciar ou se deixa levar pelo medo. Enfim, é uma situação terrível. O melhor remédio é prevenir.

Alem disso há crianças espancadas, violentadas, maltratadas, passando fome, exploradas em trabalhos pesados nos semáforos e nos lixões, exploradas sexualmente nas ruas e rodovias...

Essa canção do Pe. Zezinho precisaria perder a vigência: Menores abandonados, / Alguém os abandonou. / Pequenos e mal amados / o progresso não os adotou.

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

 

O maior é aquele que serve

aureliano, 21.09.18

25º Domingo do TC - 23 de setembro.jpg

25º Domingo do Tempo Comum [ 23 de setembro 2018]

   [Mc 9,30-37]

Pedro professou a fé dizendo: “Tu és o Messias”. Mas, em seguida não dá conta de viver o que professa. Busca uma saída, uma justificativa: repreender Jesus (cf. Mc 8, 32-33). Vê-se claramente que os discípulos têm muita dificuldade em viver a fé professada. Para nosso consolo não é dificuldade somente nossa!

Aliás, os discípulos – como nós, por vezes, – estão mesmo preocupados é com os primeiros lugares. Por isso têm medo de perguntar a Jesus o que significava aquele anúncio da paixão. Isso não coincide com suas buscas: quem será o primeiro? Se o ser humano não fizer caminhos de conversão, estará às voltas com a busca de si, de seus interesses pessoais em prejuízo da coletividade. Dêem uma olhadinha nas disputas eleitorais! A grande maioria está buscando seus próprios interesses. Projeção social, sucesso, dinheiro, garantia de altos salários, emprego e cargos para filhos e parentes. A proposta de Jesus é que seu discípulo se preocupe com o coletivo, com o bem comum. Que todos estejam bem, sejam bem servidos, sejam bem cuidados. A religião que ensina ou insiste na busca de interesses privados não anuncia o Deus de Jesus de Nazaré, mas um ídolo.

Não são, muitas vezes, nossas também essas mesmas preocupações quando assumimos um encargo de liderança? As brigas e rixas nas comunidades provêm daí: “Das paixões que estão em conflito dentro de vós” (Tg 3,2). A inveja e a cobiça são males terríveis! Destroem qualquer comunidade. Elas só podem ser vencidas pela conversão do coração a partir do encontro e seguimento de Jesus. Quando nos empenhamos em tornar nossa vida semelhante à de Jesus.

Na verdade o que está em jogo aqui é agir ou ‘segundo a lógica do mundo’ ou ‘segundo a lógica de Deus’; incorporar a ‘sabedoria do mundo’ ou a ‘sabedoria de Deus’. Jesus não abandona o projeto do Pai. Permanece firme, não obstante a oposição e indiferença dos seus discípulos. Permanece firme, pois sabe que este é o caminho da vida. Ao passo que seus discípulos são fascinados pela lógica do mundo. Não admitem que uma vitória possa vir pela vida entregue, a morte. Esta, para eles, é fracasso total. Sobretudo porque tinham em vista a chegada a Jerusalém e a vitória total do mestre Jesus sobre os dominadores da Cidade Santa.

Abraçando e apresentando uma criança Jesus quis mostrar que a lógica de Deus passa pela acolhida aos mais frágeis, uma vez que as crianças naquele tempo não tinham nenhum prestígio ou reconhecimento. Representavam os indefesos, fracos, abandonados, marginalizados. Por isso, todas as vezes que abraçamos, acolhemos, ajudamos, colaboramos com a causa dos indefesos, representados pelas crianças do evangelho, estamos acolhendo Jesus e o seu Reino. Uma Igreja que acolhe os pequenos, que se compromete com os pobres, abandonados, migrantes está acolhendo o próprio Deus. Por outro lado, uma Igreja que se aproxima e se associa aos poderosos da terra, aos latifundiários e empresários gananciosos, aos detentores do poder político e econômico está traindo a Boa Nova de Jesus.

Algumas perguntas poderiam nos acompanhar ao longo desta semana: Qual é a lógica/sabedoria que nos orienta: a sabedoria do mundo ou a sabedoria de Deus? Deixo-me levar pela ganância do ter e do poder? Qual é minha maior preocupação: ocupar os primeiros lugares, incomodar-me com quem está nos primeiros lugares (porque penso que o lugar deveria ser meu)? Luto por um mundo mais igualitário, mais democrático, mais dialógico, começando por mim? Estou disposto a enfrentar desafios, desafetos, desprezos, humilhações por causa de minha fidelidade ao evangelho?

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A PROPÓSITO DAS CRIANÇAS...

Jesus “tomou uma criança, colocou-a no meio deles e, pegando-a nos braços, disse-lhes...” Essa atitude de Jesus pode nos ajudar a refletir sobre muitas situações por que passam as crianças na sociedade atual.

Uma delas é o abandono. Certamente são mais do que justas e necessárias as ausências dos pais que saem todos os dias em busca do pão de cada dia. As crianças ficam nas creches, com as avós ou em outras situações. Mas o fato é que a presença norteadora dos genitores deixa a desejar. Quem são mesmo os verdadeiros orientadores, educadores dos seus filhos? Muitas vezes se busca compensar a ausência com presentes. Uma espécie de compra do afeto. Isso mais tarde se transformará em ódio contra os pais. Nunca compre o amor de seu filho/a. Dê presença e carinho gratuitamente.

Outra realidade é a da tecnologia da comunicação. Ocupados com as mídias e redes sociais, alguns pais deixam os filhos abandonados. Até costumam oferecer-lhes de presente um aparelho também. Assim fica ótimo! Cada um na sua. Ninguém incomoda a ninguém. Você sabe o que seu filho vê na internet? Sabe com quem ele faz contato? Sabe por onde navega? Há histórias terríveis em relação a isso. Pare, pense e confira!

Você que é cristão, católico ensina as primeiras orações a seu filho/a? Ensina a ele/ela os valores do evangelho? Dá bom exemplo de partilha, de solidariedade, de respeito, de justiça, de verdade? – Outro dia ouvi uma história linda: Aproximava-se o aniversário do filho: 10 anos. O pai, professor e possuidor de uma condição econômica razoável, perguntou-lhe o que gostaria de ganhar como presente de aniversário. Para surpresa do pai, o filho pediu uma boa quantidade de pães a fim de fazer sanduíches e distribuir com os pobres da rua! Esse gesto brotado do coração de um menino de classe média diz muito pra nós!

Outro fato muito em voga nos últimos dias, evidenciado pela mídia, e, infelizmente, muito praticado em nosso meio, é o abuso sexual de crianças e adolescentes. Uma situação terrivelmente dolorosa e danosa para a criança, vítima indefesa e inocente, e para a família. E, no caso da Igreja, enquanto continuadora da missão de Jesus, uma mancha terrível. Leva a uma espécie de apagão de todo o trabalho e doação de milhares de padres e religiosos que entregam sua vida, sua força, suas energias para cuidar, educar, salvar as crianças nas famílias e comunidades. Quero reafirmar que os pais precisam acompanhar com muita solicitude seus filhos e filhas pequenos para que não sejam vítimas dessa perversão/perversidade de muitos adultos e que prejudica terrivelmente milhares de crianças. Com muita frequência as crianças são abusadas pelos de casa, mas a mãe ou quem tem conhecimento, ou não se importa ou não tem coragem de denunciar ou se deixa levar pelo medo. Enfim, é uma situação terrível. O melhor remédio é prevenir.

Alem disso há crianças espancadas, violentadas, maltratadas, passando fome, exploradas em trabalhos pesados nos semáforos e nos lixões, exploradas sexualmente nas ruas e rodovias...

Encerro, sem a pretensão de terminar, com a canção do Pe. Zezinho: Menores abandonados, / Alguém os abandonou. / Pequenos e mal amados / o progresso não os adotou.

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

O que vi em Angola

aureliano, 23.10.16

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Vi Padres e Irmãs abnegados e oferentes numa missão árdua, mas geradora de alegria e de esperança.

Vi alegria vibrante em cada comunidade, em cada celebração, nos olhares e nos lábios, no canto e na dança, na reza e ao redor do fogo, na veste e no tambor.

Vi milhares de crianças cujos olhares clamam oportunidades e possibilidades. Necessidade de educação e ensino.

Vi mulheres trabalhadoras e dedicadas ao cuidado dos filhos, ao mesmo tempo que sofridas por uma dor calada.

Vi necessidade de presença missionária que acolhe, que acalenta, que consola, que firma valores e princípios cristãos.

Vi horizontes que precisam ser abertos a pais de família que não sabem como abrir trilhas em mata perigosa.

Vi doenças que precisam ser debeladas.

Vi anseios de alfabetização, de aprendizado, de conhecimento.

Vi longos caminhos percorridos. Vi estradas difíceis de ser trilhadas.

Vi sinais claros de Deus a nos convidar para nos desinstalarmos de nosso comodismo, de nosso egoísmo, de nossas murmurações sem fim. "Jesus convida, conta contigo, mas é preciso ter coragem de morrer".

Vi forte convite a dar-nos as mãos, a dobrar os joelhos no chão, a abrir o coração, a fortalecer a missão.

A participação na missão se dá de três formas: com os pés que avançam; com os joelhos que se dobram; com as mãos que partilham para manutenção da missão. Portanto, ninguém pode dizer que não tem condições de ser missionário, de participar da missão. E uma Igreja que não é missionária não é católica. Pois a razão de ser da Igreja é a missão evangelizadora. 

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN