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aurelius

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Jesus é a Porta da salvação

aureliano, 01.05.20

4º Domingo da Páscoa - A - 03 de maio.jpg

4º Domingo da Páscoa [03 de maio de 2020]

[Jo 10,1-10]

Estamos no capítulo 10º do Evangelho de João. É interessante notar que o capítulo 9º trouxe o relato da cura do cego de nascença com toda aquela realidade de discussão e expulsão daquele homem da sinagoga. No final, porém, Jesus o acolhe junto a si. Vale a pena retomar aquele diálogo: “Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: ‘Crês no Filho do Homem?’ Respondeu ele: ‘Quem é, Senhor, para que eu nele creia?’ Jesus lhe disse: ‘Tu o estás vendo, é quem fala contigo’. Exclamou ele: ‘Creio, Senhor!’ E prostrou-se diante dele” (Jo 9,35-38).

No relato do evangelho de hoje Jesus se apresenta como o bom Pastor, como a Porta do redil. O redil representa, nesse contexto, o povo oprimido que Jesus veio libertar. Ele é a porta. Quem passar por ele tem a vida. Porque ele veio “para que todos tenham vida”. Os que vieram antes dele se portaram como ladrões e assaltantes, não lhes interessando o bem das ovelhas. Ele veio, porém, para garantir-lhes o bem, a salvação.

Outro aspecto que vale ressaltar provém das seguintes palavras de Jesus: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo”. Isso significa que todos, pastores e ovelhas, a partir de Jesus devem entrar por Ele. Devem passar por essa “porta”. E quem não passa pela “porta” é ladrão e assaltante. Esse ensinamento de Jesus ajuda a dar critérios de avaliação daqueles que se dizem ou foram feitos pastores e líderes de comunidades. Se o que fazem não demonstra que eles passaram pela “porta”, ou seja, se sua prática de vida não confere com o modo de vida de Jesus, então, cuidado! São assaltantes, ladrões, que buscam o próprio interesse, e não o das ovelhas. São falsos pastores, falsos mestres.

Outro elemento: a porta não é um indivíduo, mas a comunidade em torno e em comunhão com Jesus. Jesus e sua comunidade que vive unida a ele são a porta que dá acesso ao Pai. A comunidade cristã deve se constituir como “porta” que permite aos fiéis ter acesso ao Pai. Isso nos leva a concluir que, quando a comunidade não permite e nem ajuda o fiel cristão a aproximar-se do Pai, fazer a experiência do Deus da vida, ela está naquela situação de assaltante, de falso pastor ou pastora. Uma porta falsa, mentirosa, enganadora.

Cabe aqui também uma palavra para todos que ocupam cargos ou ministério de liderança na comunidade e na sociedade. Padres, religiosos e religiosas, pastores, pais e mães, coordenadores, catequistas, administradores, secretários de pastas públicas, prefeitos, vereadores, deputados e senadores, chefes executivos, juízes e advogados, enfim, todos que têm função de gestão e administração, que têm pessoas sob seus cuidados, deveriam lançar um olhar para as atitudes de Jesus e conferir seu modo de gerir bens e pessoas.

Ainda mais: é preciso superar a imagem da parábola. “Ovelha”, “rebanho”, metáforas do texto, não significa submissão subserviente como se o pastor mandasse porque só ele sabe onde está a melhor pastagem. Como se as ovelhas fossem meros fantoches, sem vontade própria, sem liberdade, sem interação. Os limites da linguagem da parábola precisam ser transpostos para que haja interlocutores de ministério do pastoreio, mais do que destinatários. Ou seja, é preciso desenvolver e qualificar nas pessoas sua capacidade de pensar por si, de agir por si; que tenham opinião própria para que participem efetivamente do processo de transformação da sociedade, da comunidade. Que possam interagir, somar, sugerir etc. Todos precisam “passar pela porta”!

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O BRASIL NAS MÃOS DE LADRÕES E PERVERSOS

“Jesus tornou a dizer-lhes: ‘Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem. O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância’” (Jo 10,7-10).

Parece que Jesus está falando para o Brasil nestes tempos de extorsão, sonegação de impostos, de queimadas criminosas e destruição do meio ambiente; de entrega dos bens nacionais ao mercado financeiro; de disputas pelo poder, de indiferença aos mais pobres acometidos e mortos pelo covid-19. As negociatas noturnas, os acordos espúrios, os jogos de poder e de dominação... Quem é mesmo que está interessado na vida das ovelhas sofridas, maltratadas, doentes, desgarradas? Parece que engordam ainda mais as ovelhas “gordas” às custas do sufocamento das magras e doentes!

Na primeira leitura de hoje Pedro faz uma advertência excepcional: "Salvai-vos do meio dessa geração perversa!" (At 2,40). As palavras de Jesus e as palavras de Pedro são uma chave de leitura para o momento político e econômico que estamos vivendo. Há pouca gente levando em consideração aquela palavra que resume a vida de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida em abundância”. A perversidade ainda encontra ressonância e adeptos em muitos que se dizem cristãos e católicos. Uma lástima!

*Hoje é Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Isso é motivo de preocupação sua? Você pede ao Senhor da messe que envie operários para a vinha? Como você vê e vive a realidade da messe? Como você vê e o que você faz para que se multiplique e aumente o número de servidores e trabalhadores na messe do Senhor? O que você está fazendo pelas vocações? Que lugar você ocupa na história da salvação?

Por fim, sugiro a leitura das palavras do Papa Francisco para o 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações:

“Na vocação específica que somos chamados a viver, estes ventos podem debilitar-nos. Penso em quantos assumem funções importantes na sociedade civil, nos esposos, que intencionalmente me apraz definir «os corajosos», e de modo especial penso nas pessoas que abraçam a vida consagrada e o sacerdócio. Conheço a vossa fadiga, as solidões que às vezes tornam pesado o coração, o risco da monotonia que pouco a pouco apaga o fogo ardente da vocação, o fardo da incerteza e da precariedade dos nossos tempos, o medo do futuro. Coragem, não tenhais medo! Jesus está ao nosso lado e, se O reconhecermos como único Senhor da nossa vida, Ele estende-nos a mão e agarra-nos para nos salvar.

(...) Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro. Que a Virgem Maria nos acompanhe e interceda por nós”.

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN