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ADORAÇÃO SACRAMENTINA: busca de um sentido

aureliano, 02.05.16

No Formulário de Orações da Congregação, a propósito da Adoração Sacramentina, encontramos o seguinte: “É um exercício característico da Congregação; dura meia hora, sendo feita pela tarde, de joelhos, em redor do altar, fora dos bancos ou genuflexórios. Começa pela recitação alternada, pausada do Adoro Te e dos Atos de adoração, terminando pelos Louvores a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. No intervalo, a adoração é feita, em particular, seguindo, em substância, o método indicado”.

Abstendo-nos das formalidades propostas dentro de um contexto de época, importa-nos perceber o alcance do propósito do Pe. Júlio Maria ao instituir esta prática na Congregação. Quando se capta o valor de determinadas práticas de oração e se lhe dá uma ressignificação, ela se torna um meio importantíssimo para fortalecer nossa consagração e missão.

A propósito da celebração eucarística, é oportuno perguntar-nos: “Celebramos a Eucaristia para termos um doce colóquio com Jesus eucarístico? - Para isto bastaria a comunhão espiritual”. “Celebramos a Eucaristia para adoração ao Santíssimo? - Para isto já existem as bênçãos, exposições, procissões, visitas”. Daí brota a urgência de uma interpretação do Sacramento da Eucaristia para além da Adoração. O pão consagrado é para ser comido. Este alimento espiritual deve penetrar em nossas “veias”.

Nosso Santo Fundador, ao propor a Eucaristia como fonte de nossa espiritualidade, quis dizer que, assim como nosso organismo absorve as proteínas e vitaminas do alimento que consumimos, assim também o pão eucarístico deve alimentar nossa vida espiritual, inspirar nossa missão, reavivar nosso ardor apostólico.

Ele intuiu que a Adoração Sacramentina, prolongamento do Louvor Eucarístico, seria um meio eficaz para ajudar o Missionário Sacramentino a imbuir-se da vida eucarística. Parecia querer dizer que o missionário, no final do dia, devia colocar-se diante do Senhor Sacramentado e entregar a ele a missão realizada.

Este verso dos Louvores a Nossa Senhora do SSmo. Sacramento revela a alma de Júlio Maria: “Deve ser um distintivo de nossa humilde Congregação - um amor apaixonado pelo Santíssimo Sacramento - e o esforço contínuo para reproduzir a vossa vida eucarística”. Ou seja, o que distingue o Sacramentino de Nossa Senhora é uma vida eucarística. Um homem zeloso, apaixonado pelo Reino de Deus, cheio dos sentimentos eucarístico-marianos, um ‘ostensório de Jesus’ a exemplo de Maria. Está na explicitação de nosso carisma: deixar-nos tomar por Deus; deixar-nos partir, quebrar; deixar-nos entregar para alimento daqueles que o Senhor nos confiou. Tarefa belíssima, porém difícil, árdua, porque eucarística e mariana.

O princípio teológico Lex orandi lex credendi (a norma da oração estabeleça a norma da fé) deve nos colocar em permanente tensão entre o que rezamos, o que professamos e o que fazemos, numa busca permanente de superar a esquizofrenia religiosa que ameaça nossa vida cristã e consagrada.

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN